11 a 13 de junho de 2027 · Brasília
Três dias sem aparelho, com o tempo devolvido em atividades que pedem duração.
Para onde foi o tempo
Você também já deve ter sentido: o tempo passa e você não sabe para onde ele foi. Os dias correm, as semanas, os meses, e ainda assim você não dá conta de fazer tudo o que precisa fazer.
A vida acelerada trouxe tantas facilidades. Máquinas de café que deixam o café pronto para que não nos atrasemos pela manhã, a air fryer que prepara tudo com rapidez, os sucos que já vêm prontos, as frutas já cortadas, a comida embalada ou entregue na porta de casa, as compras online, os agendamentos automáticos, a lava-roupas, a seca-roupas. Tantas coisas que prometiam uma vida mais fácil e, principalmente, mais tempo disponível. Tempo para fazer coisas de humanos: rir, conversar, apreciar a arte, escutar nossos artistas favoritos, assistir ao fim da tarde.
Para onde foi esse tempo? Para mais e mais tarefas numa lista que nunca termina.
Ninguém lembra mais da última vez que passou numa banca de jornal, comprou um exemplar da revista favorita e sentou algumas horas para ler. Nem da última vez que ouviu um álbum do início ao fim, ou que parou para descansar sem culpa nenhuma.
Mas sentimos falta disso. De sentar e conversar por horas olhando nos olhos das pessoas, de ficar num café sem ser interrompido por mais uma notificação. Nossa mente se ocupa de tudo o tempo todo, sem pausa, o corpo fica exausto, e o espírito foi pro saco.
Essa falta não é à toa, e os sintomas não mentem: a sensação de pressa constante, a impossibilidade de se concentrar em algo por muito tempo, a dificuldade de lembrar de onde foi que tiramos aquela informação, a noite que não descansa, o cansaço extremo que já virou assunto comum.
Seria possível voltarmos a sentir? Acreditamos que sim, e que acelerar mais não é o caminho. Com tempo e com espaço, é possível recriar os momentos dos quais sentimos falta: o lazer, as risadas, as trocas reais com pessoas reais, que respondem sem o uso de inteligência artificial. Nossa inteligência natural ainda está aqui.
Usando o título de um bom livro, não aguentamos mais não aguentar mais. É um movimento de pausa analógica, um tempo offline onde tudo que existe é real, onde podemos finalmente sentir o tempo e descansar na certeza de que vamos recuperar um tanto daquilo que já fomos e de como fomos. E que ainda somos, se simplesmente pararmos para ver.
Venha ser offline com a gente.
O que ocupa as horas
Um fim de semana apenas sem sinal é abstinência, não descanso. Por isso o retiro repõe justamente as atividades que a pressa tornou inviáveis, porque exigem tempo contínuo e não admitem fragmentação.
Uma mesa permanente com revistas e jornais impressos, comprados em banca. Espaço de leitura e de descanso aberto a qualquer hora, não como atividade programada, mas como permissão.
A escuta de um álbum inteiro, do início ao fim, sem conversa durante. Uma refeição cozinhada pelo grupo a partir de ingredientes inteiros, não cortados nem embalados. Blocos longos de conversa sem pauta. Uma caminhada sem registro.
Prática ativa pela manhã e descanso sustentado à tarde, com yin e restaurativa, em posturas apoiadas por almofadas, blocos e cobertores, mantidas por períodos longos e sem exigência de esforço. São acessíveis a quem nunca praticou.
O repertório
As práticas
Chegada no fim da tarde, entrega dos aparelhos e apresentação do pacto. Jantar. Encontro de abertura em que cada pessoa registra o próprio estado, sem diagnóstico e sem prescrição.
Prática ativa pela manhã. Manhã aberta, com a mesa de leitura disponível. Almoço. Descanso longo no meio da tarde, que é quando o cansaço acumulado aparece. Fim de tarde aberto. À noite, a refeição cozinhada pelo grupo e a escuta do álbum.
Prática mais curta pela manhã. Caminhada sem registro. Almoço. Conversa de fechamento e devolução dos aparelhos às dezesseis horas, feita no grupo, porque a passagem de volta também merece condução.
Condução
Biólogo, analista ambiental e neuroanatomista, especialista em Hatha Yoga e Vinyasa Flow. Fundou a Unmaní em 2012, escola de formação de professores com atuação em Brasília, Goiânia e Ponta Grossa. Sua formação reúne ecologia, fisiologia, cinesiologia, psicomotricidade e dança-terapia.
Bióloga formada pela Universidade de Brasília e psicoterapeuta corporal. Pratica yoga há mais de vinte anos e ensina há onze, com mais de mil horas de estudo em Yoga Restaurativo, Yin Yoga, hatha contemporâneo e meditação. Mantém estúdio próprio em Brasília.
Antes de se inscrever
E se alguém precisar falar comigo?
Você passa às pessoas próximas o telefone de emergência da produção, que fica ligado durante os três dias. Se alguém precisar de você, nós te chamamos.
Preciso já praticar yoga?
Não. As práticas são conduzidas para quem nunca praticou, e o descanso sustentado não exige esforço nem flexibilidade.
E se eu não conseguir ficar sem o celular?
O desconforto do primeiro dia é esperado e faz parte. Não é um teste de resistência, e ninguém atravessa isso sozinho: a condução conta com esse momento e trabalha com ele.
O que levo?
Roupa confortável, agasalho, porque junho em Brasília esfria à noite, e itens de uso pessoal. Se quiser, um livro. Caderno, caneta e o material de leitura já estão lá.
Posso chegar mais tarde na sexta?
O encontro de abertura é o começo do retiro e vale muito chegar a tempo. Se houver impedimento, fale com a gente na inscrição e combinamos.
Inscrição
Deixe seus dados e nós retornamos com as formas de pagamento e as orientações de chegada. A vaga é confirmada com o pagamento da primeira parcela.